JOSÉ MARQUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pré-candidato ao governo de São Paulo, o emedebista Paulo Skaf quebrou uma tradição ao se licenciar da presidência do conselho deliberativo do Sebrae-SP e indicar para o posto, interinamente, um integrante da família que comanda a Faesp (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo).

A movimentação é entendida em setores do Sebrae paulista como um aceno de Skaf ao campo agropecuário, com o objetivo de fortalecer sua campanha. Isso porque, numa situação comum, o cargo deveria continuar até o fim do ano ocupado por alguém relacionado à indústria.

Também pesou a obrigação de renunciar à presidência -e não apenas se licenciar- caso outra pessoa da indústria assumisse o cargo. Se Skaf perder as eleições, deve voltar ao posto no final de 2018.

A divisão paulista do Sebrae, que é o serviço social de apoio à micro e pequena empresa, tradicionalmente reveza a presidência entre os conselheiros titulares dos setores de indústria, comércio, serviços e agricultura.

A entidade, que faz parte do chamado Sistema S, sobrevive de contribuições compulsórias em cima de folhas de pagamento de empresas.

De 2011 a 2014, por exemplo, o órgão foi presidido por Alencar Burti, da Associação Comercial de São Paulo. A partir de 2015, Skaf, como presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), assumiu o posto.

Seu mandato terminaria em dezembro e, só a partir de janeiro de 2019, a Faesp passaria a comandar o Sebrae de São Paulo.

Mas, nesta quarta-feira (6), quem passou a ser o presidente interino do órgão foi Tirso Meirelles, que é vice-presidente da Faesp e filho do presidente Fábio Meirelles.

Até o último dia 28, Tirso nem sequer fazia parte do conselho do Sebrae.

Ele chegou a ser conselheiro no início dos anos 2000, mas, desde a gestão de Burti até maio do ano passado, ocupava um cargo de confiança no órgão, que deixou em meio a investigações do Ministério Público do Estado que apurava irregularidades na Faesp.

Ao ser empossado como conselheiro titular, também ganhou a vaga de vice-presidente do Sebrae. Tirso ainda preside o CNPC (Conselho Nacional da Pecuária de Corte), órgão independente que recebe repasses da Faesp.

Antes dele, o conselheiro da Faesp no Sebrae era um membro do sindicato rural de Jales (a 580 km de São Paulo).

Já seu pai, Fábio Meirelles, preside a Faesp desde 1975. Enquanto Tirso tinha um cargo de confiança no Sebrae, Fábio era conselheiro titular.

Na gestão Skaf, uma auditoria independente recomendou que o filho fosse afastado do cargo por causa do parentesco, mas ele foi mantido na gestão.

Skaf deve concorrer pela terceira vez ao governo de São Paulo. Em 2010 e 2014, foi derrotado pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Presidente da Fiesp e também do Sesi e Senai do Estado (o Serviço Social da Indústria e Serviço Nacional de Aprendizagem Industriais), se licenciou dos postos na quarta para disputar a eleição.

Também deixou a presidência da Sebrae, com uma mensagem interna em que anunciava a pré-candidatura, agradecia aos funcionários e anunciava que Tirso seria o presidente interino.

A Fiesp está sob o comando de Skaf desde 2004 e costuma intensificar suas aparições em publicidades dos órgãos em anos pré-eleitorais.

OUTRO LADO

O Sebrae-SP afirma, em nota, que na licença de Paulo Skaf, Tirso Meirelles assumiu interinamente a presidência do conselho deliberativo “designado dentre os conselheiros titulares como prevê o Estatuto da entidade”.

“Tirso Meirelles é vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e foi indicado pela entidade como conselheiro titular do Sebrae-SP”, diz o comunicado.

“Pelo rodizio histórico existente entre as quatro entidades empresariais membros do Conselho Deliberativo, a presidência, a partir de janeiro de 2019, caberá à Faesp. Desta forma, para dar continuidade às ações e aos projetos em andamento no Sebrae-SP sem prejudicar o andamento das atividades, é natural que o comando do Sebrae-SP seja assumido pelo representante titular da Faesp”

A entidade estará à frente do colegiado no período de 2019/2022.

Procurado pela reportagem, Paulo Skaf não se manifestou.

Também procurados, a Faesp e Tirso Meirelles não se posicionaram.